11 de novembro de 2009

Sob Álcool e Amigos


Dez horas da noite de Sexta-Feira é hora do Lust, um bar que fica em frente à faculdade. A aula havia acabado, mas a farra nem bem tinha iniciado. Fui com a Blindparents. Compramos algumas cervejas e ficamos tomando. Muitos colegas de sala estavam lá, e não eram poucos. Sexta-feira já havia virado o dia do Lust. Era sagrado e sue comparecimento quase obrigatório para a perpetuação da vida social.
Mesmo tendo conversado com outros colegas, eu a Blindparents ficamos conversando mais entre nós mesmos. Falamos sobre nossos fracassados relacionamentos. Ela me contou mais sobre o ex dela e a briga, gerada por um vídeo-pornô caseiro dele recebendo um boquete de uma putinha que pegou numa noite. Eu contei cobre o Hirh e a intimação de ter de morar com ele em São Paulo. Ficamos rindo de nossos ex, dos maus momentos e de seus defeitos. Ficamos tendo mostrar, um para o outro, que amar não vale nada. É uma perda de tempo, eu disse. E não é?!, refletiu, perdemos nosso tempo á procura de algo bom e só encontramos merda. Ficamos assim, apenas pelo fato de uma colega nossa de sala estar namorando um outro colega. Eles nunca vão dar certo, ela disse. Lógico, concordei, ele pegava ela enquanto namorava com outra ai, complementei. Eles não duram, eu lhe digo, me disse. Não mesmo, logo ele começa a pegar outra aí e termina com ela para namorar a outra, eu disse.
E assim ficamos. Olhando para eles e falando mal de todos os relacionamentos, principalmente o deles. Estávamos mesmo putos com todo e qualquer relacionamento. E eles, há, eles. Eles eram a prova de que nós é que havíamos errado. Eram a prova de como o amor poderia existir. Mas não poderíamos aceitar. Então pusemos um olho horrível neles. E falamos mal. Falar mal e por olho neles, era isto que fazíamos. Era tudo que poderíamos fazer.
Isto me fez pensar. Como eu sentia falta de algo ao meu lado. Queria voltar o namoro. Gostaria de ter a chance de voltar ao passado e apenas disser ao Hirh que iria sim a SP e viveria ao lado dele. Mas não poderia. Tenho orgulho demais para isto. Teria de viver com a perda. Ele queria algo que não poderia dar neste momento. Talvez num futuro distante, que ele não gostaria de esperar.
A noite foi um desastre. Ficamos bêbados e vomitamos. No outro dia, aula às 7 horas da matina. Consegui ir, mas com uma cara de derrota. Minha cabeça estava um terror. Parecia que havia ocorrido uma guerra e só sobraram as ruínas. Você ficou sabendo que eles terminaram, me disse uma amiga. As ruínas agora eram um tribunal em minha mente. Pior que o de Nuremberg, garanto.
Minha mente ficava lembrando de todos os momentos em que eu e a Blindparents ficamos falando mal deles. Será que havíamos posto um olho neles? Será que havíamos mandado energia negativa ao relacionamento? Nada me fazia parar de pensar nisto. A Blindparents ficava me olhando na mesma forma que eu a ela. Havíamos conseguido o impensável. Fizemo-los terminarem. A única amostra de amor no mundo e havíamos estragado tudo. Éramos os piores vilões do mundo, e assim nos sentíamos.
Quando minha mente acalmou, resolvi perguntar a ela porque haviam terminado. Não éramos feitos um para o outro, me disse. Parece que estávamos brincando de namorar, complementou. Não estavam sérios um com o outro, é isto, eu disse. É, mais ou menos, por ai, ela finalizou.
Corri para contar a Blindparents. Não éramos os culpados. Apenas havíamos previsto algo. Graças a Deus, ela disse. Como nos sentíamos melhor. Por sentir isto, comecei a pensar se o relacionamento que eles tiveram, não era o que eu queria realmente. Talvez fosse, minha alma falou.
Talvez isto seja as energias negativas que atrapalham tudo. A inveja. Algo que tanto queremos e que só algumas pessoas conseguem sem grandes esforços, supomos. Talvez queremos as coisas para nós e não para os outros. Talvez sim, eu quisesse ser de novo amado diariamente. Talvez de novo paparicado ao telefone. Talvez de novo beijado enlouquecidamente. Talvez, talvez, talvez.