6 de novembro de 2009

Crise de Abstinência


Nada melhor que aula às 7 horas da manhã. Com o corpo ainda dormindo, fui á aula. Não consegui ficar nem um minuto com os olhos abertos. Quando finalmente a aula terminou, sai para comer algo. Fui até a lanchonete vegetariana perto da faculdade. Lá encontrei com a Viggie, a doce vendedora dos salgados de sojas que tanto gosto. Ela me perguntou porque não havia passado nos dias passados lá. Falei que havia terminado meu perfeito namoro no domingo. Você também, ela disse. Ela havia terminado com o dela há uma semana já. Ela me disse que ele vivia bêbado. Terminou porque o sexo ficou ruim, mas também bêbado não se pode pedir grandes coisas. Este negócio de terminar namoro está se espalhando mais rápido que a gripe suína, comentou. Concordei com ela. Falei que precisávamos para de sair com pessoas solteiras, comentei, principalmente quando voltar a namorar, complementei. Ela riu, com o seu doce e meigo sorriso. Pedi um pastel de soja e um de palmito. Enquanto comia, ela me perguntou o que havia se passado para terminarmos.
Parei um pouco, pus o salgado de lado e lhe contei tudo. O telefonema, o pedido para que eu fosse morar com ele em São Paulo, o intimado para ou ir lá ou terminar. Tudo, nos mínimos detalhes. Há, é só uma fase, ela disse, logo ele te liga e vocês voltam. Falei que não havia volta. Expliquei que neste momento ele queria estabilidade, um cara para que todas as noites ele pudesse dormir ao lado. Eu não poderia oferecer isto a ele, eu afirmei. Não irei mudar toda a minha vida por um cara. Infelizmente eu não era tudo o que ele queria naquele momento. Ela concordou com a cabeça. Não sabia o que falar. A situação era mesmo complicada. Comentou que passou por isto umas mil vezes com o ex e sempre voltou. Comentei que eu era um cara sério, que havia dito isto á ele. Prometi a mim mesmo que não voltaria, disse á ela. Já havia voltado para ele uma vez, agora não há mais chance, complementei. Ficamos uns segundos sem conversar.
Quando ele começou a por uns doces no balcão, um me chamou a atenção. Era um merengue de chocolate com avelãs com frutose (para aqueles que não saibam, frutose é o açúcar das frutas, dissem que é mais saudável que o açúcar normal e o adoçante). Comi-o em uma colherada só. Estava uma delícia. Ela me serviu outro. Nossa, hoje você está triste, heim, disse, já comeu dois doces, comentou. Falei que estava em depressão, pois havia terminado um namoro. Ela falou da saudade que bate quando se termina. Dá uma vontade de ligar, ela disse.
Minha mente parou. Será que eu estava sentindo saudade do Hirh? Se não, o que seria aquilo que eu sentia? Mergulhei em mim mesmo tentando descobrir. Não era uma saudade em si, era mais o desapego. Comentei com a Viggie o que havia pensado. Há, é a dependência te consumindo, ela respondeu. Nestes momentos você tem que levantar a cabeça e seguir a vida, argumentou. Tem que sair e ir à luta. Há muito cara bonito ai, porque sofrer pelo ex, me fez refletir.
Será que eu estava sofrendo uma crise de abstinência, só que a minha droga seria o meu ex? E será que havia como eu sair dela? Pelo que Viggie havia dito, sim. E a única forma de sair era arranjando outro. Seria como todos dissem, para largar um vício, o melhor é arranjar outro mais saudável. Então, para sair da abstinência do amor, eu deveria arranjar outro namorado, outro amor, assim concluí. Viggie concordou comigo. Eu devia sair á luta, á caça de um outro homem. Havia tantos outros caras gostosos e gays ai no mundo e eu é que deveria sofrer por um egoísta? Não, minhas amigas viviam me dissendo. Sim, minha mente falava, pois poderia haver outros, mas nenhum conseguiria me dar o que o Hirh me dava, amor, puro e monogâmico amor. Pensar nisto me gerou mais depressão ainda. Era a abstinência, eu fiquei me repetindo.
Acabei o segundo doce. Senti-me pior que nunca. Sentia falta dele e o queria. Só mais um pouco, me disse como todo bom viciado. Só mais um pouco e paro, prometi a Deus. Neste momento, percebi que eu era um viciado. E o pior, estava com abstinência. Se eu provasse só mais um pouco dele, nunca conseguiria superá-lo. Então, como a música “Na Sua Estante” da Pitty, falei “só por hoje não vou tomar minha dose de você/ e esta abstinência uma hora vai passar”.
Fiquei sentado, na portaria do meu edifício, fumando meu cigarro. Fiquei pensando nos bons momentos que tivemos, enquanto olhava para o número dele no meu celular. Apertei o botão de deletar. Seu numero se foi, e com ele a minha saudade também iria. Só por agora ele não existiria. Hoje começa a minha recuperação. Por agora não mais o tomarei. E sei que a minha vontade de tê-lo um dia vai passar.

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