
Enquanto eu estava no grupinho religioso, ouvi uma parte da bíblia, que comentavam naquele momento. Falava sobre Jesus e sua ida ao deserto com o Espírito-Santo. Ela me chamou a atenção. Fiquei pensando em como seria se eu encontrasse com Deus, e este me levasse para conversar num deserto. Foi pensando nisto que escrevi o diálogo abaixo.
“Deus – Bem vindo! – com voz celestial.
Eu – Quem é você?
D – Eu sou Deus, amado filho.
Eu – Sério?! Nossa, eu tenho que parar de beber na segunda. Já esta afetando os meus neurônios. Mas, sério mesmo, você é Deus?
D – Sou sim. Por que duvidas tanto? Há, tá. Não precisa nem responder. Sei muito bem de seu ceticismo. Não só vi, como ouvi muitas coisas ruins que disse ao meu respeito. Bonito, heim?! – repreendendo.
Eu – Eu não acredito. Oh, aquela fala que disse á um mês foi puramente sacana. Eu não sabia que você esta ouvindo. Sabe como é. Meu namorado adora quando digo vulgaridades na cama – no mesmo tom que uma criança se desculpa por uma to feio, só que numa velocidade mais alta.
D – O quê? O que é que você está dizendo? – sem compreender nada.
Eu – Nada, nada – disfarçando – Continue.
D – Bem, continuando. O que é que eu dizia? É. Eu ouvi tudo o que disse na vida inteira.
Eu – Sei – bem baixinho.
D – Hurg – tossindo – E foi por cansar de te escutar, que resolvi te chamar aqui para conversarmos.
Eu – O quê? Quer disser que eu morri? – num tom triste.
D – Não. Você, por acaso, ouviu o que eu disse? – tom raivoso.
Eu – Sim – mentindo – Algo com chamar aqui e conversar, além de estar cansado de mim – disfarçando saber sobre o assunto.
D – Sim, mais ou menos – sem saber responder – Bem, sei que tem uma pergunta para me fazer. Dar-te-ei a liberdade de fazê-la.
Eu – Desde quando eu possuo apenas uma pergunta? – tom irônico – Á esta hora já devia saber muito bem que eu gosto de coisas que vem em mais que dupla.
D – É, eu sei, mas sei que apenas uma te atormenta a alma.
Eu – Não só uma, umas 500 e olhe lá – tom convencido.
D – Tá, mas só te concedo uma. É pegar ou largar – tom bem raivoso.
Eu – Nossa. Tá bem. Mas são tantas – tom indiferente.
D – Mas só uma, te digo. Apenas uma e mais nenhuma – tom mais raivoso.
Eu – Tá, eu sei – tom chateado – Por acaso você sabe que disser isto me deixa mais nervoso ainda? – tom irritante.
D – Eu sei, eu sei – tom indiferente.
Eu – Bem, de todas as perguntas que afligem a minha pobre alma – choramingando – uma me importa mais.
D – Finalmente, então me diga meu filho. Mas fale de coração – tom celestial.
Eu – Qual é o sentido da vida? – tom curioso e ansioso.
D – Já esperava isto. Bem, vou te levar para um lugar. Acompanhe-me.
Eu – Tá bem. Não é longe não, é? – tom curioso.
Deus – Apenas o necessário para receber a resposta.
Eu – Ué. Você não disse que iria me responder? – tom provocativo.
D – E vou. Eu criei tudo o que vê. E é nelas que estão as minhas respostas – tom convencido.
Eu – Tá, né. Fazer o quê?! – tom de aceitação.
D – Então, vamos?
Eu – Vamos.
Chegamos ao lugar. Era um deserto, daqueles mais secos e sem vida. Enquanto olho a morta paisagem, Deus me dá a mão.
D – Vamos dar uma andada?
Eu – Vamos, mas antes gostaria de beber algo. Estou morto de sede.
D – Por acaso você está vendo algo para beber? – tom satírico.
Eu – Para falar a verdade não – tom desapontado – mas você é Deus. Pode fazê-la, não? – tom misericordioso.
D – Quem faz algo se transformar em outra é o meu filho. Peça a ele – tom bravo.
Eu – E por falar no filho do Senhor, onde é que ele está? – tom irônico.
D – Sei lá. Mandei ele para a terra uns milênios atrás e até hoje não o vi mais. Já me disseram que ele está dentro de todos os humanos. Ele sempre foi meio adepto do estilo hippie. Sabe? – tom pensativo.
Eu – Sei – tom preocupado e sem saber nada na realidade.
D – Bem, vamos continuar nossa caminhada? Já descansou bastante – tom celestial.
Eu – Tá. Mas espero que no caminho haja uma venda, um shopping, um restaurante, algo onde eu possa beber um copo de água que seja. Estou morrendo de sede – tom moribundo.
D – Você verá – rindo.
Depois de mais uma eternidade andando num deserto mais seco que peito de velha e mais morto de corpo de puta.
Eu – Deus, eu não agüento mais – tom cansativo – Estou todo suado, morrendo de sede e não consigo mais andar nem um passo sequer. Já cheguei até o meu último cigarro – tom melodramático – Não dou nem mais um passo até que me consiga cigarros e bebidas – tom implicante.
D – Como você conseguiu passar com cigarros? – tom confuso.
Eu – Bem, São Pedro tentou me tomar, mas falei para ele experimentar um antes de julgar – tom convincente.
D – É mesmo? – tom brincalhão – Não é a toa que ele tava meio lerdo e depois ficou super irritado. Tenho que melhorar a segurança, senão daqui a pouco chega aqui até os políticos. Mas, tenha calma. Logo, logo você vai ter a resposta de sua pergunta. Não desista assim tão fácil.
Eu – Não desista assim tão fácil – tom extremamente implicante – Fácil para você falar. Você não sente nem fome nem sede.
D – Engano o seu. Sinto sede de justiça e fome de solidariedade. Fácil para eu falar. Fiz as coisas mais belas e vocês conseguiram transformá-las nas piores – tom raivoso.
Eu – Tá, me convenceu. Vamos logo antes que você resolva inundar a terra de novo, devido a este papo religioso.
D – Papo religioso? Eu fui foi realista – tom sério.
Eu – Tá. O que seja. Vamos então e acabe com este papo de uma vez – tom estressado.
Mais uma eternidade depois, o que para mim pareceu umas três, principalmente sem cigarro. A vista era a mesma. Um deserto seco e totalmente morto.
Eu – Deus, eu não agüento mais. É sério mesmo. Mais um passo e morrerei. Nada sobrará de minha carne a não ser a posição mortuária que será a de um homem desesperado por um copo de água e um cigarro – tom mais melancólico ainda.
D – Não, vamos – tom incentivador – Acho que logo você verá a sua resposta.
Eu – Mais um pouco e definitivamente morrerei. Eu cansei, sério. Não há como você me contar? – tom insistido – Sei que adora passagens triunfais, mas me poupe de mais uma destas belas e cientificamente impossíveis histórias bíblicas – tom chateado e cansado.
D – Está bem. Darei-te uma dica, mas unicamente pelo fato de ter um coração virtuoso que tanto tenta abafar – tom angelical.
Eu – E como é virtuoso, o meu Senhor – tom de valorização à algo sem valor.
D – Aí vai. Olhe ao seu redor – tom celestial.
Eu – O que? O que há ao meu redor? – tom curioso.
Passou algum tempo. Procurei insistentemente por algo. Nada havia naquele morto deserto. Enquanto isto, observava Deus à mim e dada boas risadas ao ver a cega tentativa de seu convidado.
Eu – Deus, já olhei em tudo o que é lugar em que minha vista alcança. Nada vi que responde-se minha pergunta – tom decepcionado – Apenas vi as minhas pegadas na areia. Por falar nelas, o vento está apagando-as, e isto está me deixando com medo – tom temeroso.
D – Este é o mesmo sentimento de temor que vejo nos olhos dos que morrem e vem em minha presença – tom paternal.
Eu – Agora sim. Entendi a resposta – tom contente.
D – Sério – tom cômico – Sabia que ia conseguir em algum momento, mas achava que, com a sua absurda inteligência, conseguiria antes – tom satírico e irônico.
Eu – Sim – tom raivoso – Eu consegui. A vida, não só minha, como de todos, é a areia do deserto. Minhas pegadas são as minhas ações. O vento é o tempo. Conforme andei, deixei meus rastros nela. O vento as está apagando, umas rapidamente e outras vagarosamente – tom filosófico.
D – Isto aí, você está pegando o espírito da coisa – tom contente.
Eu – Me deixa acabar?! – tom irritante para uma pergunta retórica – Conforme as minhas ações são prensadas na vida dos outros o tempo tenta desfazê-las. Mas algumas resistem. Está ai a razão da vida. Fazer com que as minhas ações sejam prensadas na vida dos outros de uma forma que nem o tempo consiga apagá-las – tom convencido.
D – Você realmente acha isto? – tom questionador – Você também, não acha que a vida é apenas um deserto sem significado?
Eu – Não. A vida não pode só isto. Um vazio sem sentido.
D – Então, porque sempre acha que ela é assim? – tom super questionador.
Eu – Não acho mais – tom perfeito.
D – Então consegui o que queria – tom satisfeito.
Eu – Ué, o que tanto queria Senhor? – tom questionadoramente chato – Estava só me usando?
D – Não. Queria te mostrar que há mais na vida que simplesmente acha. Tudo que faz tem uma razão. Deixa uma marca. O tempo pode, ás vezes, apagá-la, mas nem sempre. Tome cuidado com suas ações. Elas marcam como o ferro quente marca a pele, como seus passos marcam a areia – tom celeste.
Eu – Não se preocupe – tom concordado.”
Não sei o porquê de ter escrito isto. Acho que fui iluminado, seja lá por quem. Talvez fosse o que eu precisava neste momento. Precisava de uma razão para continuar. Talvez a vida seja como a areia e nossas ações como os pegadas. Devemos ter cuidado, pois podemos ferir alguém de forma que o tempo não apague. Devemos é marcar a vida de todas as pessoas de uma forma boa, em que elas sempre se lembraram de nós, da melhor forma possível. Isto sim, consegui provar. Todos os meus namorados haviam me marcado. Todos os meus amigos também. Sempre de uma forma a não se apagarem com o vento. Cresci muito graças á muitas pessoas que pisaram em minha vida, tanto de formas boas como ruins. Assim é que me tornei a pessoa que sou. Uma pessoa abençoada por ter outras que pisam em minha vida, sempre torcendo que seja de uma forma abençoada.
Apresentei o diálogo ao grupo religioso. Todos ficaram espantados, no bom sentido. Nunca imaginariam que uma pessoa como eu, totalmente cética, poderia escrever algo tão profundo e revelador assim. Às vezes nos enganamos com as aparências. Julgamos a capa, ao invéz do conteúdo. Eu havia julgado errado. Sempre achei que Deus era um ser chato e irritante. Talvez ele pudesse ser uma pessoa interessante e cômica. Porque, não seria? Se eu pude escrever um texto tão revelador, talvez ele fosse um ser engraçado e amigo. Um dia saberei, quem sabe. Basta ele me chamar para mais uma caminhada. E só aceitarei se prometer cigarros e bebidas. Quem sabe eu não o chamo para caminhar comigo, enquanto lhe mostro o porquê os homens serem assim, transformadores de coisas boas em coisas ruins. Será que ele aceitaria? Pelo menos eu não o levaria á um deserto seco e sem vida.
“Deus – Bem vindo! – com voz celestial.
Eu – Quem é você?
D – Eu sou Deus, amado filho.
Eu – Sério?! Nossa, eu tenho que parar de beber na segunda. Já esta afetando os meus neurônios. Mas, sério mesmo, você é Deus?
D – Sou sim. Por que duvidas tanto? Há, tá. Não precisa nem responder. Sei muito bem de seu ceticismo. Não só vi, como ouvi muitas coisas ruins que disse ao meu respeito. Bonito, heim?! – repreendendo.
Eu – Eu não acredito. Oh, aquela fala que disse á um mês foi puramente sacana. Eu não sabia que você esta ouvindo. Sabe como é. Meu namorado adora quando digo vulgaridades na cama – no mesmo tom que uma criança se desculpa por uma to feio, só que numa velocidade mais alta.
D – O quê? O que é que você está dizendo? – sem compreender nada.
Eu – Nada, nada – disfarçando – Continue.
D – Bem, continuando. O que é que eu dizia? É. Eu ouvi tudo o que disse na vida inteira.
Eu – Sei – bem baixinho.
D – Hurg – tossindo – E foi por cansar de te escutar, que resolvi te chamar aqui para conversarmos.
Eu – O quê? Quer disser que eu morri? – num tom triste.
D – Não. Você, por acaso, ouviu o que eu disse? – tom raivoso.
Eu – Sim – mentindo – Algo com chamar aqui e conversar, além de estar cansado de mim – disfarçando saber sobre o assunto.
D – Sim, mais ou menos – sem saber responder – Bem, sei que tem uma pergunta para me fazer. Dar-te-ei a liberdade de fazê-la.
Eu – Desde quando eu possuo apenas uma pergunta? – tom irônico – Á esta hora já devia saber muito bem que eu gosto de coisas que vem em mais que dupla.
D – É, eu sei, mas sei que apenas uma te atormenta a alma.
Eu – Não só uma, umas 500 e olhe lá – tom convencido.
D – Tá, mas só te concedo uma. É pegar ou largar – tom bem raivoso.
Eu – Nossa. Tá bem. Mas são tantas – tom indiferente.
D – Mas só uma, te digo. Apenas uma e mais nenhuma – tom mais raivoso.
Eu – Tá, eu sei – tom chateado – Por acaso você sabe que disser isto me deixa mais nervoso ainda? – tom irritante.
D – Eu sei, eu sei – tom indiferente.
Eu – Bem, de todas as perguntas que afligem a minha pobre alma – choramingando – uma me importa mais.
D – Finalmente, então me diga meu filho. Mas fale de coração – tom celestial.
Eu – Qual é o sentido da vida? – tom curioso e ansioso.
D – Já esperava isto. Bem, vou te levar para um lugar. Acompanhe-me.
Eu – Tá bem. Não é longe não, é? – tom curioso.
Deus – Apenas o necessário para receber a resposta.
Eu – Ué. Você não disse que iria me responder? – tom provocativo.
D – E vou. Eu criei tudo o que vê. E é nelas que estão as minhas respostas – tom convencido.
Eu – Tá, né. Fazer o quê?! – tom de aceitação.
D – Então, vamos?
Eu – Vamos.
Chegamos ao lugar. Era um deserto, daqueles mais secos e sem vida. Enquanto olho a morta paisagem, Deus me dá a mão.
D – Vamos dar uma andada?
Eu – Vamos, mas antes gostaria de beber algo. Estou morto de sede.
D – Por acaso você está vendo algo para beber? – tom satírico.
Eu – Para falar a verdade não – tom desapontado – mas você é Deus. Pode fazê-la, não? – tom misericordioso.
D – Quem faz algo se transformar em outra é o meu filho. Peça a ele – tom bravo.
Eu – E por falar no filho do Senhor, onde é que ele está? – tom irônico.
D – Sei lá. Mandei ele para a terra uns milênios atrás e até hoje não o vi mais. Já me disseram que ele está dentro de todos os humanos. Ele sempre foi meio adepto do estilo hippie. Sabe? – tom pensativo.
Eu – Sei – tom preocupado e sem saber nada na realidade.
D – Bem, vamos continuar nossa caminhada? Já descansou bastante – tom celestial.
Eu – Tá. Mas espero que no caminho haja uma venda, um shopping, um restaurante, algo onde eu possa beber um copo de água que seja. Estou morrendo de sede – tom moribundo.
D – Você verá – rindo.
Depois de mais uma eternidade andando num deserto mais seco que peito de velha e mais morto de corpo de puta.
Eu – Deus, eu não agüento mais – tom cansativo – Estou todo suado, morrendo de sede e não consigo mais andar nem um passo sequer. Já cheguei até o meu último cigarro – tom melodramático – Não dou nem mais um passo até que me consiga cigarros e bebidas – tom implicante.
D – Como você conseguiu passar com cigarros? – tom confuso.
Eu – Bem, São Pedro tentou me tomar, mas falei para ele experimentar um antes de julgar – tom convincente.
D – É mesmo? – tom brincalhão – Não é a toa que ele tava meio lerdo e depois ficou super irritado. Tenho que melhorar a segurança, senão daqui a pouco chega aqui até os políticos. Mas, tenha calma. Logo, logo você vai ter a resposta de sua pergunta. Não desista assim tão fácil.
Eu – Não desista assim tão fácil – tom extremamente implicante – Fácil para você falar. Você não sente nem fome nem sede.
D – Engano o seu. Sinto sede de justiça e fome de solidariedade. Fácil para eu falar. Fiz as coisas mais belas e vocês conseguiram transformá-las nas piores – tom raivoso.
Eu – Tá, me convenceu. Vamos logo antes que você resolva inundar a terra de novo, devido a este papo religioso.
D – Papo religioso? Eu fui foi realista – tom sério.
Eu – Tá. O que seja. Vamos então e acabe com este papo de uma vez – tom estressado.
Mais uma eternidade depois, o que para mim pareceu umas três, principalmente sem cigarro. A vista era a mesma. Um deserto seco e totalmente morto.
Eu – Deus, eu não agüento mais. É sério mesmo. Mais um passo e morrerei. Nada sobrará de minha carne a não ser a posição mortuária que será a de um homem desesperado por um copo de água e um cigarro – tom mais melancólico ainda.
D – Não, vamos – tom incentivador – Acho que logo você verá a sua resposta.
Eu – Mais um pouco e definitivamente morrerei. Eu cansei, sério. Não há como você me contar? – tom insistido – Sei que adora passagens triunfais, mas me poupe de mais uma destas belas e cientificamente impossíveis histórias bíblicas – tom chateado e cansado.
D – Está bem. Darei-te uma dica, mas unicamente pelo fato de ter um coração virtuoso que tanto tenta abafar – tom angelical.
Eu – E como é virtuoso, o meu Senhor – tom de valorização à algo sem valor.
D – Aí vai. Olhe ao seu redor – tom celestial.
Eu – O que? O que há ao meu redor? – tom curioso.
Passou algum tempo. Procurei insistentemente por algo. Nada havia naquele morto deserto. Enquanto isto, observava Deus à mim e dada boas risadas ao ver a cega tentativa de seu convidado.
Eu – Deus, já olhei em tudo o que é lugar em que minha vista alcança. Nada vi que responde-se minha pergunta – tom decepcionado – Apenas vi as minhas pegadas na areia. Por falar nelas, o vento está apagando-as, e isto está me deixando com medo – tom temeroso.
D – Este é o mesmo sentimento de temor que vejo nos olhos dos que morrem e vem em minha presença – tom paternal.
Eu – Agora sim. Entendi a resposta – tom contente.
D – Sério – tom cômico – Sabia que ia conseguir em algum momento, mas achava que, com a sua absurda inteligência, conseguiria antes – tom satírico e irônico.
Eu – Sim – tom raivoso – Eu consegui. A vida, não só minha, como de todos, é a areia do deserto. Minhas pegadas são as minhas ações. O vento é o tempo. Conforme andei, deixei meus rastros nela. O vento as está apagando, umas rapidamente e outras vagarosamente – tom filosófico.
D – Isto aí, você está pegando o espírito da coisa – tom contente.
Eu – Me deixa acabar?! – tom irritante para uma pergunta retórica – Conforme as minhas ações são prensadas na vida dos outros o tempo tenta desfazê-las. Mas algumas resistem. Está ai a razão da vida. Fazer com que as minhas ações sejam prensadas na vida dos outros de uma forma que nem o tempo consiga apagá-las – tom convencido.
D – Você realmente acha isto? – tom questionador – Você também, não acha que a vida é apenas um deserto sem significado?
Eu – Não. A vida não pode só isto. Um vazio sem sentido.
D – Então, porque sempre acha que ela é assim? – tom super questionador.
Eu – Não acho mais – tom perfeito.
D – Então consegui o que queria – tom satisfeito.
Eu – Ué, o que tanto queria Senhor? – tom questionadoramente chato – Estava só me usando?
D – Não. Queria te mostrar que há mais na vida que simplesmente acha. Tudo que faz tem uma razão. Deixa uma marca. O tempo pode, ás vezes, apagá-la, mas nem sempre. Tome cuidado com suas ações. Elas marcam como o ferro quente marca a pele, como seus passos marcam a areia – tom celeste.
Eu – Não se preocupe – tom concordado.”
Não sei o porquê de ter escrito isto. Acho que fui iluminado, seja lá por quem. Talvez fosse o que eu precisava neste momento. Precisava de uma razão para continuar. Talvez a vida seja como a areia e nossas ações como os pegadas. Devemos ter cuidado, pois podemos ferir alguém de forma que o tempo não apague. Devemos é marcar a vida de todas as pessoas de uma forma boa, em que elas sempre se lembraram de nós, da melhor forma possível. Isto sim, consegui provar. Todos os meus namorados haviam me marcado. Todos os meus amigos também. Sempre de uma forma a não se apagarem com o vento. Cresci muito graças á muitas pessoas que pisaram em minha vida, tanto de formas boas como ruins. Assim é que me tornei a pessoa que sou. Uma pessoa abençoada por ter outras que pisam em minha vida, sempre torcendo que seja de uma forma abençoada.
Apresentei o diálogo ao grupo religioso. Todos ficaram espantados, no bom sentido. Nunca imaginariam que uma pessoa como eu, totalmente cética, poderia escrever algo tão profundo e revelador assim. Às vezes nos enganamos com as aparências. Julgamos a capa, ao invéz do conteúdo. Eu havia julgado errado. Sempre achei que Deus era um ser chato e irritante. Talvez ele pudesse ser uma pessoa interessante e cômica. Porque, não seria? Se eu pude escrever um texto tão revelador, talvez ele fosse um ser engraçado e amigo. Um dia saberei, quem sabe. Basta ele me chamar para mais uma caminhada. E só aceitarei se prometer cigarros e bebidas. Quem sabe eu não o chamo para caminhar comigo, enquanto lhe mostro o porquê os homens serem assim, transformadores de coisas boas em coisas ruins. Será que ele aceitaria? Pelo menos eu não o levaria á um deserto seco e sem vida.
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