26 de outubro de 2009

Os Fins Chuvosos


Em todo filme romântico, sendo ele francês ou bem Hollywoodiano, sempre que um casal termina um relacionamento, a chuva vem em seguida, forte como o sentimento que ambos possuíam e que agora nada mais significa. Mas será que os filmes nada mais são que uma mera visão da realidade? Será que o fim de um relacionamento tem sempre que chover? Ou será a chuva nada mais que uma metáfora das lágrimas que ambos querem expor, mas que na situação ela apenas complicariam tudo?
Posso por aqui vários fins de relacionamentos em que choveram. E olha que não foram poucos. Lembro-me particularmente do alemão que namorava, Hagolph. Estávamos na porta de meu apartamento, ele me beijava e suas malas estavam atrás dele. Estava dissendo como o nosso relacionamento não mais dava certo. A chuva chegou, fina no começo, como as minhas palavras e fortes no fim, quando nos beijamos pela última vez, enquanto o taxista pegava as suas malas.
Lembro também do caso de uma amiga, bem recente. Sra. Blindparents. Ela estava namorando um cara á vários anos. Quando deram um tempo no relacionamento, ele transou com uma menina. Não só isso, ele gravou ela fazendo sexo oral nele. Quando resolveram acabar com o tempo e voltaram, ela viu o filme. Ela o chamou, então de pornozinho caseiro. A dor era grande. Não conseguiu nem beija-lo mais. Depois de um mês terminaram. Logicamente, como é comum nesta época, choveu, e forte, como a dor de ter de acabar algo que nada mais era, mas que grande coisa havia sido.
Posso citar também a Sra. Surf, outra amiga minha, cujo namorado, imperfeito por ser pão-duro, descobriu á traição. Ele havia ligado para ela, enquanto ela estava com o amante. Ela atendeu sem querer, ao encostar-se ao telefone. Ele ouviu tudo e gravou. Após um tempo, ligou para ela. Marcaram de sair. Foi buscá-la. Quando ela entrou no carro, ele começou a falar falas do encontro amoroso. Ela nada conseguia disser. Ele pôs para tocar a conversa que gravara. Ela ouvia calada. Pediu para sair. A chuva era forte, mas era preferível a ver à forte reação que seria a do namorado traído. Ela, molhada, andava. Ele, seco e triste, acompanhava com o carro. A virada era inevitável. Ele virou o carro, enquanto disse “vadia”. Ela não chorou. A chuva secava suas lágrimas.
Talvez, a chuva não seja uma metáfora para as lágrimas. Talvez seja apenas a dor. A dor de ter que ver partir, de ter que terminar, de não poder mais continuar. Dissem que toda vez que se fecha uma porta, se abre uma janela. Mas, ás vezes, as fechamos por medo da chuva forte e de nos molharmos. Será que sempre que se fecha uma porta, se abre uma janela, no mínimo? Será que depois da chuva forte sempre há um arco-íris?
Comigo, sempre que um relacionamento termina, outro começa rapidamente. Com a Blindparents também. Em menos de três dias, uns amigos a chamaram para ir a uma festa. Ela bem que não queria no começo, mas achava que devia seguir a vida. Disse que iria apenas para relaxar e que se surgisse algo interessante, na verdade, alguém, ela não perderia a chance. Com a Surf, não houve uma janela, mas uma porta. Ela está, agora, saindo com alguns homens possivelmente interessantes. Não quer mais um só relacionamento, apenas quer curtir a vida. Não quer mais ser presa a nada, nem aos sentimentos. Só terá saídas á bons bares e boates, incluído todos os homens que ela puder por as mãos.
É possível que o fim de algo possa ser o inicio de algo melhor? Termino aqui, olhando a porta da garagem se fechar, enquanto a chuva forte se afina e me deixa aqui, sozinho, pondo um fim a uma amizade que já foi um arco-íris e que agora é apenas passado, uma porta que se fechou, e á espera de uma coisa nova, a janela que ainda não se abriu, mas que um dia irá, possivelmente.

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